Muita gente me procura quase pedindo desculpas. Pergunta se já pode vir, se não é cedo demais. Ou se ainda faz sentido, porque a perda aconteceu há muitos anos e, em tese, já devia ter passado.
Eu costumo responder do mesmo jeito: não existe um momento certo para cuidar de uma dor. Existe o momento em que você percebe que não quer mais carregá-la sozinho. E esse momento é seu.
Ainda assim, entendo que ajuda ter alguns sinais para olhar. Não como uma lista de sintomas, e sim como um espelho. Talvez você se reconheça em algum deles.
O luto não é uma doença, mas também não precisa ser atravessado sozinho
O luto é a resposta natural a uma perda. É o preço do amor, como se costuma dizer. Sentir falta, chorar, ter dias bons e dias ruins, tudo isso faz parte. Ninguém precisa de terapia só porque está triste depois de perder alguém.
O que muda o quadro é o quanto você está sozinho com essa tristeza. Há pessoas que atravessam o luto cercadas de gente que escuta. Há outras que, depois de algumas semanas, percebem que ninguém pergunta mais, que o assunto incomoda, que é melhor dizer que está tudo bem. É nesse silêncio que a dor costuma pesar mais.
Sinais de que o luto está pedindo companhia
- A rotina voltou antes de você. As pessoas seguiram, e você ainda está parado naquele dia.
- Você não consegue falar da perda com ninguém, ou só consegue falar sem sentir nada.
- Uma culpa aparece o tempo todo: pelo que você disse, pelo que deixou de dizer, pelo que poderia ter feito.
- O sono, o apetite ou o cansaço mudaram há semanas e não voltam ao lugar.
- Você evita lugares, fotos, músicas ou pessoas que lembram quem partiu, e isso está encolhendo a sua vida.
- Você sente que precisa ser forte o tempo todo, porque todo mundo depende de você.
- Uma perda antiga voltou com força, às vezes puxada por uma perda nova.
Nenhum desses sinais é uma sentença. São convites. Se algum deles parece com o que você está vivendo, talvez valha a pena ter um lugar onde falar sem precisar se explicar.
Faz pouco tempo. É cedo demais?
Não é. Há quem me procure na primeira semana depois da perda, ainda no susto, sem conseguir organizar os pensamentos. Nesse momento, a terapia não tem a função de resolver nada. Ela oferece um chão: uma hora em que você não precisa cuidar de ninguém, nem dar notícia, nem parecer bem.
Algumas pessoas preferem esperar um pouco, e isso também é legítimo. O importante é saber que a porta não fecha com o tempo.
E se já faz muitos anos?
Também faz sentido. Eu digo com frequência que há saudades de trinta anos que ainda esperam para ser ouvidas. Muita gente atravessou perdas numa época em que o costume era seguir em frente, não incomodar ninguém, ser forte. A dor não desapareceu. Ela ficou guardada, esperando uma chance.
Eu conheço esse caminho de perto. Vivi lutos dolorosos muito cedo e enfrentei todos eles sozinha. Foi na terapia que descobri que havia outro jeito. Escrevi mais sobre isso em o luto que não passa.
Quando o cuidado precisa ser médico também
Há situações em que o acompanhamento terapêutico precisa caminhar junto com o cuidado médico. Se você está pensando em não viver mais, se não consegue sair da cama há muitos dias, se passou a usar álcool ou remédios para aguentar, procure um médico ou um psiquiatra. E se precisar falar com alguém agora, o CVV atende de graça pelo 188, 24 horas por dia.
A terapia não substitui esse cuidado. As duas coisas podem, e muitas vezes devem, andar lado a lado.
Como é o primeiro encontro
No primeiro encontro, eu escuto. Você conta a sua história do seu jeito, no seu tempo, sem ouvir conselhos prontos. Não há nada que você precise saber explicar antes de chegar. O que não couber hoje pode vir no próximo encontro.
As sessões duram 60 minutos e podem ser presenciais, em Francisco Beltrão, ou online, por videochamada. Se quiser entender melhor como eu acompanho, contei os detalhes em terapia para luto em Francisco Beltrão e online.
A ausência dói, mas o amor permanece. Você não precisa escolher entre um e outro, e também não precisa atravessar isso sem ninguém.