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Regiani Werner Luto e perdas Falar
Primeiros passos

Quando procurar terapia para o luto

Não existe cedo nem tarde para cuidar de uma perda. Veja os sinais de que o luto está pedindo companhia e como a terapia pode ajudar, no seu tempo.

Muita gente me procura quase pedindo desculpas. Pergunta se já pode vir, se não é cedo demais. Ou se ainda faz sentido, porque a perda aconteceu há muitos anos e, em tese, já devia ter passado.

Eu costumo responder do mesmo jeito: não existe um momento certo para cuidar de uma dor. Existe o momento em que você percebe que não quer mais carregá-la sozinho. E esse momento é seu.

Ainda assim, entendo que ajuda ter alguns sinais para olhar. Não como uma lista de sintomas, e sim como um espelho. Talvez você se reconheça em algum deles.

O luto não é uma doença, mas também não precisa ser atravessado sozinho

O luto é a resposta natural a uma perda. É o preço do amor, como se costuma dizer. Sentir falta, chorar, ter dias bons e dias ruins, tudo isso faz parte. Ninguém precisa de terapia só porque está triste depois de perder alguém.

O que muda o quadro é o quanto você está sozinho com essa tristeza. Há pessoas que atravessam o luto cercadas de gente que escuta. Há outras que, depois de algumas semanas, percebem que ninguém pergunta mais, que o assunto incomoda, que é melhor dizer que está tudo bem. É nesse silêncio que a dor costuma pesar mais.

Sinais de que o luto está pedindo companhia

  • A rotina voltou antes de você. As pessoas seguiram, e você ainda está parado naquele dia.
  • Você não consegue falar da perda com ninguém, ou só consegue falar sem sentir nada.
  • Uma culpa aparece o tempo todo: pelo que você disse, pelo que deixou de dizer, pelo que poderia ter feito.
  • O sono, o apetite ou o cansaço mudaram há semanas e não voltam ao lugar.
  • Você evita lugares, fotos, músicas ou pessoas que lembram quem partiu, e isso está encolhendo a sua vida.
  • Você sente que precisa ser forte o tempo todo, porque todo mundo depende de você.
  • Uma perda antiga voltou com força, às vezes puxada por uma perda nova.

Nenhum desses sinais é uma sentença. São convites. Se algum deles parece com o que você está vivendo, talvez valha a pena ter um lugar onde falar sem precisar se explicar.

Faz pouco tempo. É cedo demais?

Não é. Há quem me procure na primeira semana depois da perda, ainda no susto, sem conseguir organizar os pensamentos. Nesse momento, a terapia não tem a função de resolver nada. Ela oferece um chão: uma hora em que você não precisa cuidar de ninguém, nem dar notícia, nem parecer bem.

Algumas pessoas preferem esperar um pouco, e isso também é legítimo. O importante é saber que a porta não fecha com o tempo.

E se já faz muitos anos?

Também faz sentido. Eu digo com frequência que há saudades de trinta anos que ainda esperam para ser ouvidas. Muita gente atravessou perdas numa época em que o costume era seguir em frente, não incomodar ninguém, ser forte. A dor não desapareceu. Ela ficou guardada, esperando uma chance.

Eu conheço esse caminho de perto. Vivi lutos dolorosos muito cedo e enfrentei todos eles sozinha. Foi na terapia que descobri que havia outro jeito. Escrevi mais sobre isso em o luto que não passa.

Quando o cuidado precisa ser médico também

Há situações em que o acompanhamento terapêutico precisa caminhar junto com o cuidado médico. Se você está pensando em não viver mais, se não consegue sair da cama há muitos dias, se passou a usar álcool ou remédios para aguentar, procure um médico ou um psiquiatra. E se precisar falar com alguém agora, o CVV atende de graça pelo 188, 24 horas por dia.

A terapia não substitui esse cuidado. As duas coisas podem, e muitas vezes devem, andar lado a lado.

Como é o primeiro encontro

No primeiro encontro, eu escuto. Você conta a sua história do seu jeito, no seu tempo, sem ouvir conselhos prontos. Não há nada que você precise saber explicar antes de chegar. O que não couber hoje pode vir no próximo encontro.

As sessões duram 60 minutos e podem ser presenciais, em Francisco Beltrão, ou online, por videochamada. Se quiser entender melhor como eu acompanho, contei os detalhes em terapia para luto em Francisco Beltrão e online.

A ausência dói, mas o amor permanece. Você não precisa escolher entre um e outro, e também não precisa atravessar isso sem ninguém.

Este texto é um conteúdo de acolhimento e não substitui o acompanhamento médico nem outros tratamentos de saúde mental. Se você está em sofrimento intenso, o CVV atende de graça pelo 188, 24 horas por dia.

Dúvidas frequentes

Preciso estar muito mal para procurar terapia no luto?

Não. Você não precisa chegar ao limite para merecer cuidado. Muita gente procura ajuda simplesmente porque não tem com quem dividir a dor, e isso já é motivo suficiente.

Quantas sessões são necessárias para o luto?

Não existe um número definido. Cada luto tem o seu tempo, e a frequência dos encontros é combinada de acordo com o seu momento, sem pacote fechado.

Posso fazer terapia de luto online?

Pode. A sessão online acontece por videochamada, dura 60 minutos e é tão acolhedora quanto a presencial. Basta um cantinho tranquilo onde você possa falar à vontade.

E se eu chorar o tempo todo na sessão?

Tudo bem. A sessão é justamente um lugar onde você não precisa segurar o choro nem pedir desculpas por ele. Chorar também faz parte do caminho.